A concorrência no segmento de medicamentos OTC ( over-the-counter) tem boa chance de ganhar novos players de peso nos próximos anos. As grandes redes de farmácias do País já estudam entrar na disputa, à medida que ampliem o número de lojas sob suas bandeiras. É preciso ganhar escala para oferecer preços competitivos aos dos grandes laboratórios farmacêuticos, o que torna a pulverização do setor o principal entrave para colocar tais planos em prática. Juntas, as sete maiores redes de farmácia detêm, aproximadamente, 25% dos pontos de venda do Brasil.
Hoje as líderes do mercado não chegam a ter 500 lojas. Uma fusão entre duas delas, porém, deixaria a bandeira resultante do processo muito perto de um “número mágico”. Segundo o principal executivo destas redes, que prefere não ser identificado, a comercialização de OTC por marca própria passa a ficar viável financeiramente para as redes que alcançarem, no mínimo mil lojas.
A análise de Fábio Beltrão, da GS&MD-Gouvêa de Souza, vai na mesma direção. “A conta para os OTCs com marca própria não fecha sem a consolidação do setor. E esse processo ainda está lento porque a maioria dos estabelecimentos continua sob direções familiares e ainda há bandeiras com apenas uma ou duas lojas, tanto no interior do País quanto nas periferias das grandes cidades”, diz Beltrão, sócio-diretor de inteligência de mercado da consultoria.
Enquanto não ganham musculatura suficiente para investir nesse promissor segmento, as farmácias já começam a construir suas marcas próprias por meio de outros produtos, como esparadrapos, tônicos bucais, e inclusive cremes e óleos corporais. “Esse trabalho é essencial para as redes que planejam migrar para os OTCs, segmento no qual é indispensável ter a confiança do consumidor”, analisa Beltrão.
O potencial dos OTCs é tamanho que o setor ganhou status de prioridade para a Associação Brasileira de Marcas Próprias (Abimapro). No final de maio, a entidade levou um grupo de empresários, donos de redes de farmácias, para a Private Label Trade Show, uma das principais feiras internacionais de produtos de marcas próprias, realizada na Holanda.
“Eles tiveram contato com medicamentos OTC, vitaminas e produtos funcionais e fitoterápicos com marca própria” afirma Marco Quintarelli, vice-presidente da Abimapro. “Tais produtos são uma realidade, e muito bem aceitos tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, há anos.”
Reportagem extraída da revista Meio & Mensagem nº1463: http://migre.me/5egaV.
Matéria publicada em 13/06/2011.
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